FAMAZONIA firma parceria buscando resguardar a integridade desses jovens

Imigrantes venezuelanos têm considerado o território brasileiro como uma alternativa viável para mudar suas realidades. No entanto, adultos e, principalmente, crianças têm sofrido através da:

  • Exploração trabalhista;
  • Insuficiência alimentar;
  • Omissão educacional.

Quer entender mais sobre esses pontos e conhecer as medidas de combate adotadas pela FAMAZONIA? Continue no nosso artigo.

A imigração venezuelana

O cenário catastrófico promovido pela ditadura venezuelana impulsiona o desespero entre indivíduos locais, que buscam alternativas de fuga. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 3,9 milhões de nativos se deslocaram para o exterior em 2020. Mesmo consideravelmente altos, esses números não agregam cidadãos em situação de asilo ou refugiados.

Seus destinos costumam rondar as fronteiras de suas terras, sendo compostos por países como Brasil, Colômbia, Equador e Peru. No entanto, apesar dessa “vantagem geográfica”, os métodos adotados para alcançar esses objetivos são extremamente perigosos, uma vez que buscam burlar sistemas fiscalizatórios.

Por isso, indivíduos em desvantagem física, como crianças e idosos, tendem a não suportar alguns trajetos. Após essa etapa, uma das mais cruéis nesse processo, é necessário se adaptar à uma nova realidade.

E as crianças…

Quando sobrevivem ao transporte, esses jovens costumam se tornar peças fundamentais para a captação de recursos para suas famílias. Em estados como Amazônia e Roraima, é muito comum identificar crianças e adolescentes venezuelanas exercendo a função de pedintes em espaços públicos. Em casos mais extremos, essas pessoas são forçadas a trabalhar vendendo balas, doces e outros alimentos do gênero nessas mesmas condições.

Quais as consequências?

Tantas adversidades durante o desenvolvimento de um indivíduo podem causar reflexos irreparáveis ao longo dos anos. A começar pela imigração, que pode colocar os jovens em situações traumáticas que os comprometam física e psicologicamente.

Por sua vez, o trabalho infantil compreende esses mesmos efeitos. A exposição excessiva ao sol aliada ao cansaço extremo e à alimentação de baixa qualidade podem impulsionar o desenvolvimento de inúmeras doenças, impactando diretamente na vida dessas pessoas a curto, médio e longo prazo.

Conforme sugeriu a Criança Livre de Trabalho Infantil, uma dessas consequências está relacionada à interatividade.  Segundo a entidade, “(…) quando a criança é responsável por uma parte significativa da renda familiar, há uma inversão de papéis, o que pode dificultar a inserção dela em outros grupos sociais da mesma faixa etária, porque os assuntos e responsabilidades vão além da idade adequada”.

Como resolver?

Visando atingir os indivíduos descritos anteriormente, o Fundo Nacional da Amazônia (FAMAZON) firmou uma parceria com a Aldeias Infantis SOS para direcionar esforços à essas vítimas. Em linhas gerais, a ideia é resguardar a integridade física e psicológica de cada uma dessas crianças através de atividades de recuperação social.

Entre as inúmeras peças a compor esse projeto está a psicóloga Rosane Sobrera. A profissional se especializou em temas relacionados à ansiedade, depressão, migração e sexualidade e desenvolveu diversas ações com jovens abrigados no Posto de Recepção e Atendimento (PRA), no Terminal Rodoviário de Manaus. No espaço, foram promovidas dinâmicas voltadas à identificação e tratamento de vários níveis de violência. Entre as atividades realizadas no local, estão:

  • A divulgação de canais de denúncia;
  • A execução de rodas de conversa;
  • A produção de cartazes para conscientização.

Ao comentar sobre a aplicação das atividades, Rosane Sobrera afirmou que “(…) é perceptível ver a situação de instabilidade emocional deles variando desde a tristeza até a raiva, o excesso de necessidade de contato com os voluntários no local ao total fechamento de contato com estes. A dificuldade de adaptação e saudade do local de origem e dos familiares e amigos que ficaram também foi possível de se perceber através das dinâmicas e conversas”.

Enquanto isso, no governo…

Realizada entre os dias 20 e 24 de setembro, a Assembleia Geral da ONU foi utilizada como plataforma de divulgação para ideais propostos por representantes venezuelanos. Na ocasião, o presidente Nicolás Maduro exigiu “(…) a suspensão das sanções criminosas” impostas ao país através de diversos bloqueios, ação que diminuiria a crise em seu território.

No entanto, suas cobranças são vistas de maneira controversa por outros líderes mundiais, que se dividem em relação ao posicionamento do conflito entre a nação sul-americana e os Estados Unidos. No próprio evento, a aparição do mandatário foi realizada através de uma filmagem para evitar sua detenção.

Mesmo assim, movimentos contrários à sua gestão tendem a ganhar força em diversas partes do mundo, principalmente por acusações relacionadas a medidas ditatoriais. Nicolás Maduro se defende enquanto faz acusações afirmando que “(…) as contas financeiras são perseguidas, o ouro das reservas internacionais do Banco Central da Venezuela, em Londres, foi sequestrado e bloqueado, tivemos bilhões de dólares sequestrados e bloqueados em contas bancárias nos Estados Unidos, na Europa e em outros lugares”.

Apesar disso, inúmeras crises locais continuam se intensificando, sendo reconhecida pelo próprio governo. Em 2020, o Banco Central da Venezuela confirmou dados referentes à hiperinflação no país, que atingiu surreais 9.585% em 2019. O descontrole desses pontos intensifica o medo da população, que recorre a medidas extremas para fugir desse cenário. Por isso, controlar esses fatores e amenizar estragos é essencial para combater uma das crises mais proeminentes da história.